O Social do ESG – A Jornada ESG pela diversidade, inclusão e engajamento.

ESG  são as 3 letras mais relevantes para o mundo hoje, que merecem a atenção de todas as pessoas devido a sua importância para o futuro dos negócios, da sociedade e da própria espécie humana. A sigla ESG do Inglês conjuga os aspectos Ambiental (Environmental), Social (Social) e de Governança (Governance) aos resultados gerados por uma organização, promovendo investimentos responsáveis e sustentáveis, convergindo com o conceito de Capitalismo Consciente de respeito aos stakeholders.

ESG representa a materialização do conceito de sustentabilidade que, segundo a ONU, é aquele que satisfaz as necessidades presentes sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.

O movimento ESG que acompanhamos no mundo hoje foi iniciado nas Nações Unidas, quando liderada pelo então secretário geral Kofi Annan, ao lançar no ano 2000 o Pacto Global, atualmente maior iniciativa a favor do desenvolvimento sustentável do planeta, promovendo 10 princípios a serem internalizados nas práticas tanto da gestão pública quanto privada,  com o objetivo de permitir um redirecionamento de rota e recursos em favor de um mercado mais responsável e sustentável. 

No ano 2004, de forma objetiva, Koffi Annan chamou um grupo de 50 empresas gigantes do mercado financeiro para responderem a pergunta:

Qual o rumo do Capitalismo sem Propósito? 

Ele queria saber dos executivos como as empresas poderiam ter lucro sem deixar de lado 3 questões essenciais: 

  • Ambiental 
  • Social 
  • Governança

Foi neste momento documentada a sigla ESG no relatório “Who Cares Wins” (em tradução livre, “Ganha quem se importa”), um convite às instituições do mercado financeiro para integrar seus princípios à gestão, o que culminou na criação do PRI – Princípios para Investimentos Responsáveis. Embora avanços tenham ocorrido, os desafios aumentaram e se tornaram ainda mais complexos.

Em 2020 a pandemia do Covid-19  evidenciou a desigualdade social e os riscos que a sociedade parecia ignorar.

Em 2021 a Organização Mundial da Saúde (OMS)  publica novas Diretrizes Globais de Qualidade do Ar, reconhecendo o ar puro como um direito humano fundamental. 

No cenário atual, com a guerra da Rússia diante da Ucrânia, nos deparamos com inúmeras situações de violação aos direitos humanos, nos permitindo enxergar dores e valores humanos e de nos reconhecer como uma sociedade global. 

Nesse contexto de extrema fragilidade humana coletiva e transformação cultural, as organizações ocupam papel estratégico, pela sua força de consumo e riqueza humana que detém. Quando nos deparamos com uma gestão pautada na conformidade legal, na transparência e na ética, observamos impactos socialmente positivos nas  relações com colaboradores, clientes, investidores, comunidade e demais stakeholders. 

E com direcionamento para que resultados financeiros passem pelo crivo da sua contribuição aos Direitos Humanos, busca por Igualdade de gênero e diversidade, apoio a grupos sociais vulneráveis, encontramos organizações dispostas a deixar importantes legados, capazes ainda de  influenciar os mercados em que atuam.

Cenário do ESG no Mundo

Governos, organizações e mercados de capitais encontram na sigla ESG parâmetros globais para orientar ações a favor de um modelo capitalista mais consciente, onde a busca pelo lucro esteja acompanhada pelos critérios ambientais, sociais e de governança, promovendo o engajamento de todos os atores sociais que possam contribuir com um futuro sustentável. 

Laurence Fink, fundador e CEO da Black Rock, maior empresa de investimentos do mundo, vem afirmando em suas cartas abertas a seus clientes que a sustentabilidade em sentido amplo, desde práticas trabalhistas até privacidade de dados e ética empresarial, está no centro da forma como estão investindo e que gestores e lideranças que não souberam medir seus impactos correm o risco de ficar de fora do mercado. Neste contexto, governos e organizações capazes de implementar os critérios ESG à gestão, além de reduzir seus riscos, tendem a ser os mais atrativos para receber parte dos 30 trilhões de dólares de ativos que estão hoje sob gestão de fundos que aplicam  seus recursos  apenas  em negócios com práticas sustentáveis e inclusivas.

Infelizmente a crescente pressão por temas ligados à pauta ESG trouxe um efeito colateral amargo para a sociedade: a maquiagem para ações julgadas como de impactos sociais ou ambientais. O chamado “washing” em suas múltiplas variantes: greenwashing, socialwashing ou ainda a mera e simples “pilantropia”.  

A ocorrência de uma “washing” representa riscos de imagens e impactos adversos que muitas vezes não se tem conhecimento e controle.  Cabe atenção por parte das organizações em relação às ações de marketing, desde o conteúdo que comunica, canais utilizados e recursos disponibilizados, sendo essencial o alinhamento entre a prática e o discurso institucional.

A adoção da sigla ESG à gestão contribui com o processo de autoconhecimento individual e coletivo, permite conhecer as diferentes realidades e os recursos disponíveis. Recursos que quando direcionados a encontrar caminhos de contribuir com o coletivo permitem a ampliação da visão do negócio, favorecendo a  gestão de riscos e identificação de novas oportunidades. 

Nesse contexto, mensurar o desempenho dos impactos ambientais, sociais e de sua governança confirmam se a organização está de fato exercendo sua responsabilidade socioambiental. O que torna imprescindível o envolvimento e  apoio das lideranças à frente das organizações, que se verifica através da disponibilidade de recursos financeiros e não financeiros e do engajamento das pessoas que estão a frente da operação, exercendo suas atividades cotidianas. 

Diretrizes e Melhores Práticas

Os critérios ESG ilustram comportamentos empresariais sem definição jurídica uniforme, contudo no Brasil encontramos o Artigo 170 da Constituição Federal de 1988 abordando a importância da ética no âmbito da ordem econômica e da Responsabilidade Social da empresa para um progresso sustentável.

No âmbito do judiciário a contribuição vem com condenações e medidas restaurativas que incentivam a adoção de critérios ESG com materialidade, ou seja com a necessidade de se  comprovar. Na esfera administrativa,  as fiscalizações aplicam os chamados Termos de Ajustes de Condutas – TAC – são acordos firmados entre a empresa e o órgão fiscalizador para rever práticas internas e sanar danos.   

Cabe aqui destacar que no contexto global encontramos práticas e diretrizes internacionais para uma gestão ESG, pautadas nos tratados internacionais vigentes, consolidados nos 10 princípios do Pacto Global da ONU e nas 169 metas estabelecidas através dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – ODSs – a serem compartilhados com toda a comunidade mundial.

Os ODS são os frameworks do mundo para reconhecer a rota de um modelo de produzir e gerar recursos de maneira mais consciente, responsável e sustentável.

Em tempos de urgência global e transformação cultural temos o compliance, expressão oriunda do verbo em inglês to comply, que significa estar em conformidade com as leis, padrões éticos, regulamentos internos e externos de instituições a fim de promover o refinamento necessário da gestão para contribuir com a cultura da integridade. O programa de compliance favorece a minimização de riscos proporcionando maior segurança àqueles que empreendem, servindo de guia para o comportamento de empresas e pessoas. 

A verdade é que hoje em dia o discurso está lindo, acompanhamos investimentos em marketing para exibirem nos sites e nos locais de trabalho os propósitos, valores, visões e missões das organizações sem que as pessoas entendam para que servem e a relação com as atividades que desempenham no seu dia a dia. Promover maior coerência entre prática e discurso é um desafio a ser compartilhado por todas as organizações que desejam envolver seus diferentes públicos, especialmente colaboradores, com iniciativas de ESG. Para compreender um pouco mais sobre a ideia de coerência entre prática e discurso, deixo aqui a dica do artigo “Integridade Organizacional e Coerência entre Prática e Discurso”, escrito por meu colega Giuliano.

O lado Social da Mudança

O Social é o pilar da sustentabilidade que olha para as pessoas e a comunidade como sociedade humana, a partir de suas maneiras de conviver e gerar afetos, aprendizados e realizações, individual ou coletivamente. É onde nos deparamos com as diferenças físicas, raciais, sociais, culturais, econômicas, políticas e religiosas. Os critérios sociais avaliam a relação das organizações com seu meio social — se referem a temas como respeito aos direitos humanos e às leis trabalhistas; segurança no trabalho; salário justo; diversidade de gênero, raça, etnia, credo, etc; proteção de dados e privacidade; satisfação dos clientes; investimento social; e relacionamento com a comunidade local. Reflete, em grande medida, os valores da empresa e fortalece os laços estabelecidos com as comunidades.

Nesse contexto, Diversidade, Equidade e Inclusão passam a ser estratégicos para que as organizações se ajustem às novas tendências de mercado e de fato contribuam com o enfrentamento das desigualdades que ainda existem no mundo. Diversidade, equidade e inclusão significa que o ambiente organizacional é um espelho da sociedade, quando se transmite valores de igualdade, respeito e acolhimento se eleva a qualidade das relações no espaço de trabalho, favorece a retenção de talentos e se promove entregas com mais qualidade.  A adoção de políticas com estes três focos são catalisadores de inovação e propulsores de crescimento sustentável das organizações.

Nesse contexto, o papel ou razão social das organizações é de colaborar com o real sentido de uma sociedade humana: ter um futuro sustentável e acabar com a fome e a pobreza do mundo. 

Cabe às organizações chamar o dever para si por ser parte integrante da forma como se produz e consome, gera-se valores e também pelo seu potencial  multiplicador.  Como disse Giorgio Armani, logo no início da pandemia :“A turbulência do momento é enorme, mas a chance de discutir o que está errado está em nossas mãos.”

E aqui façamos a seguinte reflexão: que legado nossa geração de empresas quer deixar e deixará ao mundo?

Primeiros Passos

Para começar é preciso  fazer a pergunta: 

Sua organização está disposta a evoluir?

Evoluir no contexto ESG significa alcançar a Conformidade e fortalecer a Transparência das relações com todos que mantêm relações, por meio de contratos com diversos atores (clientes, colaboradores, fornecedores e parceiros, além do governo e entidades do Estado), rever práticas e valores, buscar alinhar práticas ao discurso e impactar positivamente no âmbito ambiental, social e de governança, promovendo avanços na cultura de integridade.

Se refletiu sobre a pergunta acima e a resposta foi sim, experimente essas duas dicas aqui:

  • Olhe de maneira crítica para seu discurso, então avalie quanto dele está de fato materializado em suas práticas, e repita o ciclo;
  • Comece por dentro, transformando as relações com colaboradores, então torne sua comunicação mais transparente com todos os demais stakeholders.

A maioria de nós não age de forma irresponsável e insustentável voluntariamente, mas sim por falta de alternativa, conhecimento ou ambos; promova o diálogo e inspire atitudes a favor de uma cultura com mais integridade.